A Felicidade no Trabalho

 

Numa sociedade em que tudo parece incerto, em que a necessidade de trabalhar é premente, até por uma questão de sobrevivência social, parece-me importante falar de algo que pode ser considerado secundário nas empresas: a felicidade.

 

A nível nacional, recentemente, temos verificado algumas funções potencialmente consideradas “estranhas” a surgir no Linkedin – por exemplo, Happiness Manager ou até mesmo Chief Happiness Officer (CHO).

 

Mas em que consiste esta função?

Trata-se de uma função na área da gestão dos recursos humanos com a particularidade que deve ser exercida por alguém que considera que colaboradores felizes corresponde a melhores trabalhadores. – Mas nem todos os que acreditam nesse conceito têm esse título!

Colaboradores que se sentem envolvidos na empresa e motivados contribuem para o crescimento da empresa uma vez que potencia uma melhoria do desempenho!

 

Mas o que pode contribuir para a felicidade no trabalho?

 

Podemos considerar vários aspetos:

  • Recrutamento, seleção e integração na empresa (todo o processo, desde o primeiro contacto, é importante!);
  • Progressão de carreira / planificação da evolução expectável da carreira;
  • Gestão do desempenho;
  • Reconhecimento do esforço e do trabalho dos colaboradores;
  • Transição para a reforma
  • etc.

São apenas alguns exemplos de momentos em que o CHO poderá intervir pois todos têm um impacto na felicidade no trabalho assim como no seu desempenho na empresa.

 

Portanto o objetivo dos RH (ou especificamente dos “happiness managers”) será de garantir que os empregados estejam felizes. Claro que sabemos que nem tudo depende de nós e que esse objetivo e muito ambicioso. No entanto, deve ser um objetivo de qualquer RH!

 

Importa relembrar que o turnover que vamos testemunhando passa, muitas vezes, pela sensação de falta de reconhecimento pelas chefias diretas, assim como impossibilidade de progressão de carreira, etc. É fulcral ser-se humano com os colaboradores: respeitar a pessoa, ser verdadeiro, honesto. Parece óbvio, mas por vezes até aqui se pode falhar! Este aspeto – o respeito – deverá ser a pedra basilar de toda a relação dentro da equipa (incluindo chefias).

 

O envolvimento e compromisso dos colaboradores é também fundamental. Devem sentir-se satisfeitos com a situação profissional e com a própria empresa até porque eles são a fundação da mesma. Sem os colaboradores, a empresa conseguiria trabalhar e atingir os seus objetivos? Para além disso, de uma forma natural e informal, todos nós transmitimos para fora (amigos, família, etc.), mesmo sem querer, o que é trabalhar na nossa empresa. A perceção de cada um vai moldar a imagem que o público em geral tem da nossa entidade patronal.

Podemos, e devemos, partilhar o que é a nossa cultura através de redes sociais e demais meios de comunicação, no entanto, o nosso “cartão de visita” serão sempre os nossos colaboradores. É, por isso, importante dar-lhes o devido valor!

 

Como podemos dar valor? Mostrando que confiamos no seu trabalho e capacidades – pode ser através de um reconhecimento verbal de um trabalho bem realizado, aumento de liberdade para gerirem o seu tempo e tarefas, a possibilidade de personalizar o seu cantinho (entenda-se secretária, gabinete, etc.), e espaço e possibilidade para implementar ideias que tenham! Para além de reconhecer assim o seu empenho, também se dá assim espaço para poderem crescer e darem um verdadeiro contributo à empresa, com a sua assinatura.

 

Podemos aqui também referir aquilo que se vê cada vez mais nas redes sociais, quando empresas tentem vender a sua marca, querendo demonstrar que são uma empresa “fun” (e.g.: mesas de ping-pong, consolas, etc.). A felicidade pode passar – em parte – por aí, ainda que as coisas não sejam bem assim. Deve-se, sim, incentivar alguns momentos para relaxar, mas o objetivo obviamente será sempre a produtividade pelo que as pausas para recorrer a essas distrações não serão o foco de um dia de trabalho! Mas, como referimos, essa gestão poderá ser feita pelo próprio colaborador (rever ponto anterior)!

 

Também é fulcral incentivar o trabalho em equipa. Por muito boas que as pessoas sejam, individual e tecnicamente, deverá sempre haver uma certa coesão e teamwork! Só assim poderá haver um trabalho coletivo que permitirá atingir os objetivos e desenvolver trabalhos mais completos e ricos. Assim, alguns exercícios de teambuilding, ainda que pontuais, podem ser momentos de pausas no trabalho muito positivos!

 

A felicidade no trabalho é claramente uma preocupação cada vez maior por parte de empresas.

Independentemente de terem um CHO ou Happiness Manager, todos os departamentos de Recursos Humanos deverão procurar sempre que os seus colaboradores estejam satisfeitos e felizes no seu trabalho. Isso permite uma maior retenção e produtividade!

 

Pensem nisso e partilhem com os vossos diretores / chefias 🙂