Outsystems: Será o futuro da programação?

Outsystems, apontada como líder de mercado das plataformas low-code é um termo cada vez mais procurado e pesquisado no mundo digital. Criada em 2001 por Paulo Rosado, um engenheiro informático do Alentejo que, na altura, trabalhava em Silicon Valley na Oracle, a Outsystems já conta com escritórios em 54 países e mais de mil clientes em 42 indústrias. Mas muitas dúvidas ainda envolvem o que exatamente é a plataforma Outsystems e sobre o que esta permite fazer. 

Para nos ajudar a esclarecer estas questões, falámos com o nosso consultor Danilo Barbosa, que se encontra a trabalhar remotamente a partir do Brasil. O Danilo é um Software Developer que começou a sua carreira na área de frontend, utilizando linguagens como HTML, CSS e Javascript, mas que, após ter experimentado trabalhar com Outsystems, “foi ganhando o gosto daquele poder de desenvolvimento” e nunca mais parou. Já conta com dois anos de experiência com a plataforma, tendo começado pela versão 10 e estando já a trabalhar com a 11. À conversa com ele, conseguimos perceber o que é a Outsystems, quais as suas vantagens e porque se destaca das outras formas de programação, algo que discutiremos a seguir. 

Plataformas de low-code

Outsystems é uma plataforma baseada em low-code, o que permite o desenvolvimento de aplicações sem que sejam necessários muitos conhecimentos de programação. Com recurso a poucos movimentos, é possível criar uma página de uma aplicação, de forma rápida e visualmente interessante. Nas palavras de Danilo, sendo este um dos pontos mais procurados no desenvolvimento, a plataforma pretende essencialmente ”facilitar o desenvolvimento dos projetos, trazendo agilidade e uma melhor forma de desenvolver com melhores práticas de forma rápida”. Mas desengana-se quem pensa que para usar estas plataformas basta saber “arrastar bolinhas”, pois existe todo um conjunto de lógicas por trás que permitem o desenvolvimento, sendo necessário criar variáveis, funções e consultas, como em qualquer outro tipo de desenvolvimento.  

Para percebermos melhor o que são as plataformas low-code, podemos fazer um paralelo com uma fábrica de carros. As máquinas automáticas existentes na linha de produção não decidem como será o aspeto final do veículo, mas aceleram todo o processo de montagem e entrega do mesmo. Estas plataformas funcionam no mesmo sentido.

Agilidade e rapidez

A rapidez é, de facto, um dos pontos fortes da plataforma e algo que atrai muitas empresas e programadores. “O intuito da Outsystems é trazer uma melhor forma para developers desenvolverem de maneira mais rápida, menos complexa, tentando minimizar as dificuldades que temos em linguagens que não trazem uma forma visual tão agradável”. Programar de forma visual permite aos developers serem efetivamente mais rápidos no desenvolvimento. Convencionalmente, criar uma aplicação poderia facilmente levar até sete meses e serem necessários sete programadores, no entanto, com Outsystems, a mesma aplicação poderá ser concluída num mês e meio com apenas dois Outsystems developers. Também o Danilo teve esta perceção “Há um tempo atrás eu fiz um curso e o mentor desenvolveu um sistema em Java e um em Outsystems. Em Outsystems, ele fez o projeto em menos de um dia e, em Java, ele demorou sete dias. É uma grande diferença”.    

A plataforma é também bastante ágil, pois está construída de forma a ser facilmente integrada noutros ambientes preexistentes. Por exemplo, pode-se usar Outsystems no frontend de forma a que este comunique com sistemas que já existam no backend. Segundo o Danilo, esta, para além de permitir fazer integrações com linguagens como C#, Java, CSS ou Javascript, disponibiliza ainda as ferramentas Service Studio, que permite fazer uma gestão mais backend do serviço, e LifeTime, que possibilita a criação de versões durante o ciclo de desenvolvimento. 

Como começar a trabalhar com Outsystems?

Sendo uma tecnologia cujo objetivo principal é facilitar um processo que, por norma, é bastante moroso, aprender a trabalhar com a plataforma não poderia ser de outra forma que não: simples. Se até há alguns anos atrás poucas pessoas usavam a tecnologia, hoje o mesmo já não acontece. Existem diversos developers com experiência na plataforma e que partilham os seus recursos e conhecimentos em fóruns online. Para além disso, a própria empresa disponibiliza vários recursos oficiais (bootcamps, cursos, fóruns, documentos, etc)  para quem procura mergulhar no mundo Outsystems. Um dos recursos mais interessantes prende-se com o repositório Forge, onde os utilizadores podem desenvolver componentes e disponibilizar para outros developers como se se tratasse de uma biblioteca.

Um dos pontos de partida que a empresa aconselha, a todos aqueles que se pretendem tornar mestres nesta plataforma, são os seus Guided Paths. Estes são um conjunto de cursos que vão desde o nível iniciante ao avançado e que cobrem diversos temas como: desenvolvimento mobile; desenvolvimento frontend; design de UI/UX; análise de negócio; entre outros, tudo no contexto Outsystems. 

Para quem já pretende trabalhar em contexto profissional com a tecnologia, uma ou várias certificações são imprescindíveis, já que são uma forma de comprovar os conhecimentos adquiridos na plataforma. Atualmente, a Outsystems disponibiliza três níveis de certificação. O primeiro é o Associate, sendo um exame mais focado nos fundamentos de Outsystems e que se divide em duas áreas: programação web e mobile. Para quem já se considera num patamar intermédio de conhecimento, o nível Professional é o passo a seguir. Para chegar a este nível é, no entanto, necessário ter passado com sucesso o nível anterior e já possuir 6 meses de experiência como “associate developer”. Por fim, existe o nível Expert que exige mais de 12 meses de experiência como “professional developer” e grande domínio da plataforma. 

Aprender sozinho não é fácil, pelo que o caminho mais desejável é iniciar o contacto com Outsystems numa empresa que já a utilize. Segundo Danilo “Eu acredito que o primeiro passo seria realmente entrar numa empresa para poder desenvolver, porque a partir disso começa-se a entregar resultados a clientes”, o que potencia um contacto mais próximo com outros profissionais da área e com projetos reais com prazos de entrega a cumprir. 

Irá a Outsystems derrubar as outras linguagens de programação?

No final de 2019, a líder mundial das plataformas low code apresentou em Amesterdão novas funcionalidades para simplificar ainda mais a programação, de forma a que o desenvolvimento de novas aplicações seja possível não só para os developers, como também para qualquer um com interesse na área (até os padeiros!). Mas, se Outsystems pode ser utilizado por todos, será que irá “destronar” as linguagens de programação ditas tradicionais? 

Na opinião de Danilo, haverá sempre lugar para todas as linguagens e plataformas, até porque nem tudo são “rosas” no mundo Outsystems. Nem sempre utilizar esta plataforma é a forma mais simples de desenvolver e, principalmente quando integrada com outras linguagens, pode até tornar a experiência mais difícil e complexa do que se não se utilizasse a plataforma. Danilo relembra uma experiência que teve num projeto recente “Era uma coisa tão simples de ser feita se eu estivesse a usar Javascript e HTML, seria algo de uma/duas horas, mas a Outsystems gerou uma complexidade muito grande”, pois a plataforma disponibiliza muitos recursos que não podem ser modificados, a menos que sejam criados do zero, algo que acrescenta tempo ao processo de desenvolvimento. Para além desta questão, também o custo da plataforma se torna uma desvantagem. 

Apesar de ter algumas desvantagens, a Outsystems terá, certamente um papel cada vez mais importante no mundo da programação, já que traz uma agilidade e rapidez ao desenvolvimento, que qualquer programador e cliente agradecerá. Quem está em Portugal, tem a vantagem de estar no “olho do furacão”, como diz Danilo, tendo acesso a diversos recursos e materiais dos quais só resta tirar o devido proveito. 

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