O trabalho pós-pandemia: o que vai mudar?

Apesar de ainda nos encontrarmos a ultrapassar uma das fases mais preocupantes da pandemia, já muito se especula sobre as mudanças que a mesma introduziu no trabalho e que serão para ficar. Entre o século XX e XXI, o mundo assistiu de perto a uma rápida transformação da sociedade e dos seus pilares fundamentais (como o trabalho) muito devido aos avanços da tecnologia. Esta permitiu que as organizações crescessem e dessem aos seus colaboradores novas ferramentas como plataformas de videoconferência ou softwares de colaboração. Contudo, apesar de todos estes avanços, foi preciso uma pandemia à escala mundial para acelerar verdadeiramente a tendência de mudança e para transformar a forma como trabalhamos. E o que podemos esperar do mercado de trabalho a partir de agora? 

Mais trabalho remoto

Com a difusão da Covid-19, muitas empresas viram os seus planos e estratégias mudar completamente de um dia para o outro. Muitos profissionais tiveram de dar 200% para conseguirem enfrentar os obstáculos e desafios que cada dia impunha.  Um estudo recente conduzido por uma empresa tecnológica Norte Americana concluiu que, desde março, as horas trabalhadas pelos colaboradores em regime remoto aumentaram em média entre 10 a 20%. No entanto, também tivemos resultados positivos para as empresas que se souberam adaptar, já que as emoções negativas e o stress provenientes do trabalho diminuíram, e a comunicação entre colegas aumentou cerca de 40%. Estes dados demonstram que, apesar de já existirem equipas virtuais e trabalho remoto antes da pandemia, esta veio tornar mais visíveis os benefícios destas modalidades, fazendo com que grandes empresas como o Twitter já considerem permitir indefinidamente que os seus colaboradores continuem neste registo.  A adoção do trabalho remoto será certamente uma das grandes mudanças que será para ficar. 

Maior proximidade entre colegas e equipas 

A tecnologia que muitas vezes é encarada com desconfiança e receio por parte da humanidade, tem-se tornado cada vez mais humana. Através dela não só trabalhamos, como assistimos a concertos, casamentos, aulas e falamos com família e amigos. Esta tem-nos permitido continuar próximos, mesmo estando separados por barreiras físicas. 

Também o uso destas plataformas de colaboração como o Zoom ou o Teams, permitem que os colegas e as equipas acabem por comunicar mais e de forma mais eficaz uns com os outros. As empresas que adotaram formas criativas de manter os seus colaboradores próximos com eventos de team building, almoços online e happy hours, conseguiram não só mantê-los produtivos e motivados, como também fazer com que se conhecessem de maneira que nunca antes havia sido possível. Exemplo disso são as empresas que organizaram períodos de lazer em que os seus colaboradores puderam mostrar os seus animais aos restantes colegas ou que organizaram clubes literários online. Atividades como estas, que nem sempre eram possíveis no modelo tradicional de trabalho presencial, permitem que as equipas se conheçam a um nível mais pessoal e que criem laços mais fortes e duradouros. 

Culturas organizacionais mais fortes

A cultura não existe somente dentro de quatro paredes, mas encontra-se presente nas pessoas que fazem a empresa. Esta representa a soma dos comportamentos, valores e decisões que tornam uma organização única e que, por isso, não está dependente de um local físico. 

A comunicação e o contacto entre colegas desempenham um papel fundamental na manutenção de uma cultura positiva. Neste sentido, com o aumento da comunicação que as tecnologias têm potenciado durante a pandemia, é natural que as culturas organizacionais tendam a se fortalecer e a permanecerem estáveis no período pós-pandemia. Também o papel do líder é de relevo neste ponto. Apesar de não ditarem uma cultura, têm uma grande influência na mesma. Um líder inspiracional é capaz de criar uma onda de positividade durante um período mais negativo enquanto um líder que transmite sentimentos negativos é capaz de minar uma cultura que já valoriza as pessoas. Assim, os líderes que queiram tirar o maior proveito das novas formas de trabalho, devem-se afastar de políticas de presenteísmo e aprender a medir o que as suas equipas produzem e como contribuem para a organização com o maior número de dados e objetividade possíveis. Desta forma, estarão a fomentar a confiança e a justiça nas relações com os seus colaboradores, fortalecendo a cultura organizacional. 

Foco no talento e não na localização 

Um dos fatores que mais limita o acesso das organizações ao melhor talento ainda é a localização. Quando uma empresa exige que as suas equipas estejam sempre presentes nas suas instalações, está a limitar o número de profissionais que será capaz de atrair e contratar. Com o dinamismo do mercado, especialmente nos setores das TI, onde os profissionais detêm algum poder sobre o seu processo de contratação, nos últimos anos tem-se notado uma mudança de paradigma onde o trabalho persegue o talento e não o contrário

A Covid-19, com a imposição do trabalho remoto e com a ajuda da tecnologia, veio, mais uma vez, acelerar esta mudança e alargar esta possibilidade a outros setores de atividade. Profissionais que há muito já procuravam estas medidas têm agora a possibilidade de também eles viverem onde pretendem e trabalharem onde são mais necessitados. Por outro lado, também as empresas finalmente compreenderam que podem aceder ao melhor talento onde quer que ele esteja (desde que haja wi-fi!). 

O trabalho e a vida pessoal mais próximos

A grande tendência que podemos observar com a evolução da tecnologia é, sem dúvida, a de aproximação entre as esferas pessoal e profissional. Com os computadores portáteis e os smartphones, passamos a poder transportar o nosso trabalho para onde necessitamos e a estar permanentemente conectados com o mundo e o que se passa a cada instante. Estas ferramentas permitiram não só estarmos em contacto com o trabalho, como estudar, conviver com família e amigos, a assistir a espectáculos, etc. 

Contudo, como a mudança para o trabalho remoto foi repentina, muitas pessoas não tinham as instalações mais adequadas para trabalharem 8 horas diárias no mesmo local. Estar em casa também traz a tentação de trabalhar mais tempo do que o necessário, tratando de assuntos pendentes no sofá ou lendo alguns emails antes de ir dormir, trazendo problemas como dores de costas, problemas de visão e de circulação. Neste sentido, é necessário que os profissionais adotem algumas regras e hábitos que potenciem o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal. 

Em suma, podemos perceber que as culturas organizacionais estão a crescer fora dos escritórios e a entrar pelas nossas casas. As empresas estão a ter um acesso muito mais livre a uma talent pool global, permitindo aumentar a sua competitividade. É, assim, tempo de abraçarmos esta onda de mudança e esta nova forma de trabalho que se foca no bem estar, igualdade, e produtividade, já que certamente irá trazer muitos benefícios não só aos colaboradores como também às empresas.


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