Educar na era da IA: Está a escola preparada para o futuro?

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Escrito por

Marina Pinho

Communication Manager

A inteligência artificial entrou nas salas de aula antes de existir um consenso sobre como a usar. Não chegou através de programas-piloto, nem de reformas curriculares bem planeadas, mas pela mão dos próprios alunos. Hoje, muitos já usam ferramentas de IA como apoio aos trabalhos, aos estudos e à organização do tempo, muitas vezes sem que professores ou pais saibam exatamente como, nem com que critérios.

É a partir desta realidade concreta que começa a conversa com Marta Pinto, fundadora do projeto AI Goes to School, no mais recente episódio do podcast da Dellent. Uma conversa que evita tanto o entusiasmo ingénuo como o medo paralisante, e que se foca no essencial: o que é que a escola pode e deve fazer perante a IA?

Ao longo do episódio, fica claro que a questão não é proibir nem ignorar. A IA já faz parte do quotidiano dos alunos e fingir o contrário só aumenta o fosso entre a escola e a realidade. O verdadeiro desafio está em ensinar a usar, e não apenas em reagir ao uso.

Do ponto de vista dos professores, a inteligência artificial pode ser uma ferramenta prática: apoio na preparação de aulas, adaptação de conteúdos a diferentes ritmos de aprendizagem, criação de exercícios ou até ajuda na organização do trabalho docente. Mas, como sublinha Marta Pinto, nada disto acontece sem formação. Não basta disponibilizar ferramentas, é preciso tempo, contexto e confiança para as integrar de forma consciente.

Outro ponto central da conversa é a literacia digital dos alunos. Saber usar IA não é copiar respostas. É perceber que estas ferramentas erram, inventam, reproduzem enviesamentos e dependem fortemente da forma como são usadas. Ensinar IA na escola passa, antes de mais, por ensinar pensamento crítico: questionar resultados, validar fontes, compreender limites e assumir responsabilidade pelo que se entrega.

É ainda importante não esquecer que nem todas as escolas têm os mesmos recursos, nem todos os professores o mesmo apoio, nem todos os alunos o mesmo acompanhamento em casa. Se não houver uma estratégia alinhada, a IA pode acabar por ampliar diferenças, em vez de as reduzir.

É aqui que entram outros atores: pais, municípios e decisores públicos. A educação para a era da IA não pode ser um esforço isolado da escola. Precisa de políticas claras, investimento sustentado e diálogo entre todos os envolvidos. Caso contrário, corre-se o risco de deixar cada professor a “desenrascar-se” sozinho num tema estrutural.

No fundo, a conversa conduz a uma conclusão simples e desconfortável: a escola não está totalmente preparada, mas pode vir a estar. A tecnologia avança mais depressa do que os sistemas educativos, mas isso não é novidade. O que muda agora é a urgência. A IA não é um tema do futuro. É presente, diário e inevitável.

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